Português para concurso: 8 regras que aparecem nas provas
Português para concurso sem decoreba: crase, concordância, regência, vírgula, colocação pronominal, hífen e interpretação, com exemplo e pegadinha.
Para estudar português para concurso, você não precisa dominar a gramática inteira antes de fazer questões. Precisa dominar um núcleo de temas que se repete muito nas provas de bancas como Cebraspe, FGV, FCC e Vunesp: interpretação de texto, crase, concordância, regência, pontuação, colocação pronominal, ortografia (com o hífen) e as relações entre orações. Quem estuda esse núcleo com questões já resolve boa parte da prova.
Um esclarecimento: não existe ranking oficial das bancas com "as regras que mais caem". A lista abaixo é a percepção de quem acompanha editais e provas há bastante tempo, e coincide com o que a maioria dos conteúdos programáticos de nível médio e superior traz.
Para cada regra, vai o essencial, um exemplo e a pegadinha que costuma aparecer.
1. Crase: o teste do masculino
A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo "a". Para saber se ela existe, troque a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se aparecer "ao", tem crase.
- "Fui à escola." → "Fui ao colégio." Tem crase.
- "Comprei a apostila." → "Comprei o livro." Não tem crase (não há preposição).
Para nome de lugar, use o teste do "volto de / volto da": "Vou a Recife" (volto de Recife, sem crase) e "Vou à Bahia" (volto da Bahia, com crase).
Pegadinhas frequentes: crase antes de verbo ("começou a chover" não tem), antes de palavra masculina ("a prazo", "a pé"), com "a" no singular antes de palavra no plural ("refiro-me a pessoas"), e as horas ("às 8h", com crase).
2. Concordância verbal
Três casos aparecem com muita frequência.
Sujeito composto. Antes do verbo, plural: "O gerente e a equipe chegaram." Depois do verbo, o plural continua correto, mas o verbo também pode concordar com o núcleo mais próximo: "Chegou o gerente e a equipe."
Haver e fazer impessoais. "Haver" com sentido de existir e "fazer" indicando tempo decorrido não têm sujeito, então ficam no singular: "Havia muitos candidatos", "Faz dois anos que estudo". O auxiliar acompanha: "Deve haver vagas", e não "devem haver".
Verbo com "se". Com verbo transitivo direto, o "se" é partícula apassivadora e o verbo concorda: "Vendem-se casas". Com verbo transitivo indireto, o "se" indetermina o sujeito e o verbo fica no singular: "Precisa-se de professores".
3. Regência verbal
Regência é a relação entre o verbo e o complemento, com ou sem preposição. Alguns verbos mudam de sentido conforme a regência, e é isso que a banca explora. Pela norma-padrão tradicional, que é a referência das provas:
- Aspirar: no sentido de desejar, pede "a": "Aspiro ao cargo." No sentido de respirar, não pede: "Aspirou o ar puro."
- Assistir: no sentido de ver, pede "a": "Assisti ao jogo." No sentido de ajudar, não pede: "O médico assistiu o paciente."
- Obedecer: pede "a": "Obedeça ao regulamento."
- Preferir: "Prefiro estudar a dormir", e não "prefiro mais estudar do que dormir".
- Implicar (acarretar): sem preposição. "A medida implica custos", e não "implica em custos".
Repare que regência e crase andam juntas. "Aspiro à vaga" tem crase justamente porque o verbo pede a preposição "a".
4. Vírgula
Duas regras resolvem muita questão.
A primeira: não se separa com vírgula o sujeito do verbo, nem o verbo do complemento. "Os candidatos aprovados, serão convocados" está errado.
A segunda é a diferença entre oração adjetiva restritiva e explicativa, que muda o sentido da frase:
- "Os candidatos que estudaram lei seca acertaram a questão." Só alguns candidatos estudaram lei seca, e foram esses que acertaram.
- "Os candidatos, que estudaram lei seca, acertaram a questão." Todos os candidatos estudaram lei seca.
A banca adora perguntar se a retirada ou o acréscimo das vírgulas "mantém o sentido original". Quase sempre não mantém.
Aposto explicativo ("Brasília, capital do país, foi planejada") e vocativo ("João, venha aqui") também ficam entre vírgulas.
5. Colocação pronominal
É a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos) em relação ao verbo.
- Próclise (antes do verbo) é obrigatória quando há palavra atrativa: negação ("Não me diga"), pronome relativo ("o livro que me deram"), conjunção subordinativa ("quando se aproximou"), advérbio sem vírgula ("Aqui se estuda").
- Ênclise (depois do verbo) é a regra quando não há atrativo, e na norma-padrão não se inicia frase com pronome átono: "Empresta-me o livro", e não "Me empresta o livro" (forma comum na fala, mas não aceita pela norma-padrão nas provas).
- Mesóclise (no meio do verbo) aparece com futuro do presente e futuro do pretérito, quando não há atrativo: "Far-se-á a convocação", "Dir-se-ia que...".
Pegadinha: ênclise com verbo no futuro ("Fará-se") está sempre errada.
6. Hífen depois do Acordo Ortográfico
O Acordo Ortográfico (em vigor de forma obrigatória no Brasil desde 2016) mudou várias regras do hífen. As que mais aparecem:
- Prefixo terminado em vogal + palavra começada pela mesma vogal: com hífen. "Micro-ondas", "anti-inflamatório".
- Prefixo terminado em vogal + vogal diferente: junto. "Autoescola", "infraestrutura".
- Prefixo terminado em vogal + palavra começada por r ou s: junto, dobrando a consoante. "Antirrugas", "contrassenso".
- Prefixo + palavra começada por h: com hífen. "Anti-higiênico", "super-homem".
- Compostos com elemento de ligação perderam o hífen ("dia a dia", "fim de semana", "pé de moleque"), com exceções como espécies de plantas e animais ("bem-te-vi", "erva-doce") e algumas palavras consagradas ("cor-de-rosa", "água-de-colônia").
E compostos formados por dois substantivos ou substantivo e verbo, sem ligação, mantêm o hífen: "guarda-chuva", "segunda-feira".
7. Interpretação: o que o texto afirma, o que permite inferir e o que extrapola
Em boa parte das provas, interpretação de texto é a maior fatia de Português. E o erro clássico não é de gramática, é de leitura: marcar como certo algo que você acha verdade, mas que o texto não disse.
Separe sempre três coisas:
- O texto afirma: está escrito.
- O texto permite inferir: não está escrito, mas decorre logicamente do que está.
- Extrapolação: parece razoável, mas não tem base no texto. Esta é a armadilha.
Palavras absolutas ("sempre", "nunca", "exclusivamente") e mudanças sutis de modalidade ("pode" virando "deve") costumam ser o sinal de extrapolação. Falo disso com mais detalhe em palavras que entregam a resposta em questões.
8. Relações entre orações e conectivos
Muita questão pede para trocar um conectivo por outro "sem prejuízo do sentido". Você precisa saber a relação que cada um expressa:
- Oposição: mas, porém, contudo, todavia, no entanto.
- Concessão: embora, ainda que, mesmo que (pedem o verbo no subjuntivo: "Embora estude").
- Causa: porque, já que, visto que, uma vez que.
- Conclusão: portanto, logo, por isso, assim.
- Condição: se, caso, desde que (com subjuntivo).
Pegadinha comum: trocar "mas" por "embora" sem ajustar o verbo. "Estudou, mas não passou" vira "Embora tenha estudado, não passou".
Como estudar português para concurso sem se perder
Teoria de Português sem questão rende pouco. A rotina que costuma funcionar: estude um tema por vez, faça questões da sua banca daquele tema no mesmo dia e anote, num caderno de erros, a regra que você errou com um exemplo seu. Revise esse caderno em intervalos crescentes, como mostro em revisão espaçada para concurso.
Se a sua banca é o Cebraspe, o formato certo ou errado exige ainda mais atenção a mudanças de sentido; veja como resolver questões do Cebraspe. E se a prova tem discursiva, essas mesmas regras pesam de novo na correção, como explico em redação discursiva para concurso.
Perguntas frequentes
O que mais cai em Português nos concursos?
Não existe estatística oficial das bancas, mas, pela leitura de editais e provas, interpretação de texto costuma ocupar boa parte da prova, seguida de temas como pontuação, concordância, regência, crase e colocação pronominal. O peso de cada um varia por banca e por cargo.
Como saber se tem crase?
Troque a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se aparecer "ao", há crase: "Fui à escola" vira "Fui ao colégio". Para nomes de lugar, use "volto da" (com crase) ou "volto de" (sem crase).
Por onde começar a estudar Português para concurso?
Comece por interpretação de texto e pelos temas de gramática que aparecem no seu edital, sempre com questões da banca. Morfologia básica (classes de palavras) ajuda a entender o resto, mas não precisa ser estudada inteira antes de você começar a fazer questões.
O Acordo Ortográfico ainda cai em prova?
Sim, principalmente nas regras do hífen e da acentuação, que mudaram com o Acordo. Como ele é obrigatório no Brasil desde 2016, as provas cobram a grafia atual.
Conteúdo educativo e de estratégia de estudo. Regras de cada concurso estão no edital: leia sempre o edital do seu certame. Não temos vínculo com bancas organizadoras.