Como resolver questões Cespe de certo ou errado
Como resolver questões Cespe/Cebraspe de certo ou errado: regra de pontuação no edital, quando vale arriscar, 4 tipos de item e um método de leitura.
Como resolver questões Cespe de certo ou errado? Comece pelo edital: veja se o item errado desconta ponto ou não. Com essa regra em mãos, julgue cada item comparando-o com o texto ou a lei, marque o que você sabe e só arrisque quando a sua confiança justificar o risco. O resto é treino para reconhecer os padrões de item da banca.
A parte da regra de pontuação é onde mais circula informação errada. Muita gente repete "uma errada anula uma certa" como se fosse lei do Cebraspe. Em vários editais é assim mesmo, mas não em todos, e isso muda completamente a estratégia.
A regra de pontuação: leia o seu edital
Veja dois editais reais da mesma banca.
No Edital nº 1 do INSS, de 2022, o subitem 8.13.2 dizia que cada item valia 1,00 ponto se a resposta estivesse de acordo com o gabarito oficial definitivo, 1,00 ponto negativo se estivesse em desacordo, e 0,00 se não houvesse marcação ou houvesse marcação dupla (C e E).
Já num edital de 2026 publicado no Diário Oficial da União para a prova objetiva do curso de formação da Anatel, também aplicada pelo Cebraspe, a regra era outra: 1,00 ponto para resposta de acordo com o gabarito e 0,00 tanto para resposta errada quanto para item em branco. Sem desconto.
Ou seja: a mesma banca usa regras diferentes conforme o concurso. Antes de definir qualquer estratégia, procure no seu edital a seção de critérios de avaliação das provas objetivas.
Quando vale a pena arriscar (a conta do chute)
Com a regra em mãos, a conta é simples. Chame de p a sua chance real de acertar um item.
Se o erro desconta 1 ponto: marcar vale, em média, p × 1 + (1 − p) × (−1) = 2p − 1. Deixar em branco vale 0. Então só compensa marcar quando p for maior que 50%.
- Chute puro, sem ideia nenhuma (p = 50%): valor esperado zero. Não ganha nem perde, em média, mas aumenta o risco.
- Você tem um palpite razoável (p = 70%): valor esperado de 0,4 ponto por item. Vale marcar.
- Você está mais inclinado ao contrário do que vai marcar (p = 40%): valor esperado negativo. Não marque, ou marque o oposto.
Se o erro não desconta: marcar sempre vale pelo menos tanto quanto deixar em branco. Nesse caso, deixar item em branco é desperdício.
Tem mais um detalhe: as notas mínimas. No INSS de 2022, era eliminado quem tirasse menos de 10 pontos na prova de conhecimentos básicos, menos de 21 na de específicos ou menos de 36 no conjunto (subitem 8.13.4). Quem deixa muita coisa em branco por medo pode não alcançar o mínimo. Quem chuta demais pode ver erros comendo acertos. O equilíbrio depende da sua taxa real de acerto, e é por isso que vale medir essa taxa nos simulados.
A dificuldade prática é estimar p com honestidade. Nos simulados, marque os itens em que você "achou" a resposta e, na correção, veja quanto desses palpites você acertou. Se seus palpites acertam bem mais da metade das vezes, eles merecem ser marcados na prova.
Os 4 tipos de item que vale reconhecer
A classificação abaixo é didática, uma forma de organizar o olhar. Não é uma tipologia oficial do Cebraspe, e não há estatística pública de quanto cada tipo aparece. Os exemplos são ilustrativos, escritos para este artigo.
Tipo 1: reprodução com uma palavra trocada
O item copia quase literalmente a lei ou o texto, mas muda uma palavra decisiva.
Item ilustrativo: "A Constituição pode ser emendada mediante proposta de, no mínimo, metade dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal."
Errado. O art. 60, I, fala em um terço. Quem leu rápido reconhece a frase e marca certo. Para esse tipo, a defesa é leitura de lei seca com atenção a números, prazos e quóruns.
Tipo 2: inferência válida (ou extrapolação)
O item afirma algo que não está escrito, mas pode ou não ser deduzido. Itens com "infere-se", "depreende-se" ou "conclui-se" pedem um passo lógico curto e apoiado no texto. Se precisar de opinião ou informação externa, o item extrapolou. O artigo sobre palavras-chave em questões de concurso traz exemplos desse tipo.
Tipo 3: exceção vendida como regra
O item pega uma exceção e a apresenta como regra geral, ou o contrário. Um exemplo clássico é a publicidade dos atos processuais: a regra é a publicidade, e a Constituição admite que a lei a restrinja em hipóteses como a defesa da intimidade ou o interesse social (art. 5º, LX).
Item ilustrativo: "Os atos processuais são, em regra, sigilosos, admitindo-se a publicidade quando o interesse social o exigir."
Errado. A regra e a exceção foram invertidas.
Tipo 4: junção de dispositivos
O item junta pedaços de dois artigos numa frase que soa jurídica, mas não existe em nenhum dos dois. Por exemplo, aplicar o quórum de uma espécie normativa a outra, ou o prazo de um instituto a outro. A defesa é perguntar: "de qual artigo veio cada parte desta frase?".
Um método de leitura para cada item
O Cebraspe costuma apresentar um texto ou situação seguido de vários itens. Algumas práticas ajudam:
- Leia o comando com cuidado. "Julgue os itens a seguir, com base no texto" é diferente de "julgue os itens a seguir, acerca de...". No primeiro caso, o texto é a referência; no segundo, vale o seu conhecimento do tema.
- Julgue o item inteiro. Um item com duas afirmações está certo só se as duas estiverem certas. É comum a primeira metade ser impecável e o erro estar no fim.
- Separe sentença de justificativa. Em itens do tipo "X, porque Y", confira se X é verdadeiro, se Y é verdadeiro e se Y realmente explica X.
- Faça duas passadas. Na primeira, marque só o que você sabe com segurança. Na segunda, volte aos itens duvidosos com a conta do chute na cabeça.
- Reserve tempo para o gabarito. A folha de respostas é o documento que vale para correção. Deixe pelo menos 15 a 20 minutos no fim para transcrever com calma, ajustando conforme o tamanho da sua prova.
Como treinar no dia a dia
Resolva itens da banca desde o começo da preparação, não só no fim. E corrija de um jeito que gere aprendizado: para cada erro, anote o tipo (palavra trocada, extrapolação, exceção, junção) e o trecho da lei ou do texto que resolveria o item. Em algumas semanas, você enxerga quais armadilhas te pegam mais.
Faça também simulados cronometrados com a regra de pontuação do seu edital. Calcule a nota líquida, não só os acertos. É o único jeito de descobrir se o seu chute ajuda ou atrapalha. Se ainda não sabe quais matérias priorizar nesse treino, olhe o quadro de provas do edital, como mostramos em matérias que mais caem em concursos.
No dia da prova, a estratégia combinada com antecedência evita decisões no desespero. Somado ao checklist do dia da prova, isso tira boa parte do imprevisto da sua frente.
Perguntas frequentes
No Cebraspe, uma errada anula uma certa?
Depende do edital. No INSS de 2022, cada item errado valia 1 ponto negativo. Em outros concursos aplicados pelo Cebraspe, como a prova do curso de formação da Anatel publicada em 2026, o erro valia zero. Confira a seção de critérios de avaliação do seu edital.
Vale a pena deixar questão em branco no Cespe?
Quando o erro desconta ponto, deixar em branco é melhor do que um chute sem nenhuma base. Se você tem um palpite com chance real acima de 50%, marcar tende a compensar. Quando o erro não desconta, deixar em branco não traz vantagem.
Quanto tempo reservar para preencher o gabarito?
Não há número oficial. Uma margem de 15 a 20 minutos costuma ser confortável para provas de 100 a 120 itens, mas teste no simulado. A folha de respostas é o documento válido para correção, então não deixe para os últimos minutos.
A estratégia de chute é a mesma para Português e para Direito?
A conta é a mesma, mas a forma de estimar sua confiança muda. Em Direito, muitas dúvidas se resolvem lembrando o texto da lei. Em Português, dependem da leitura atenta do trecho, então volte ao texto antes de arriscar.
Conteúdo educativo e de estratégia de estudo. Regras de cada concurso estão no edital: leia sempre o edital do seu certame. Não temos vínculo com bancas organizadoras.